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"Não
se imagina, no resto
do Brasil, o que é a
cidade de Belém",
escrevia Euclides da
Cunha ao conhecê-la
no início do século.
"Foi a maior
surpresa de toda a
viagem", concluiu
depois de muitos
elogios.
A
maior cidade da
linha do Equador é
Belém,
carinhosamente
apelidada de “Cidade
das Mangueiras”. É
com essa referência
que a capital do
estado do Pará é
exportada para o
mundo inteiro pelo
segmento turístico.
Maior metrópole do
Norte brasileiro,
detalhe que
credencia a Cidade
Morena a ser
considerada a porta
de entrada para a
região Norte,
tornando-a Metrópole
da Amazônia. Cidade
do cheiro-cheiroso,
cidade das bandeiras
vermelhas -
assinalando os
pontos de venda de
açaí - cidade do
Círio de Nazaré, da
chuva diária que
limpa as ruas e
alivia o calor
tropical, cidade de
gente hospitaleira,
Belém é uma festa
para os olhos e para
a alma.
Belém
nasceu sob a
influência do
Renascimento, que
começava a dominar a
Europa nos idos de
1616, quando ela foi
fundada. Foi a
primeira cidade
brasileira a ter luz
elétrica nas ruas,
bonde e telefone.
Belém viveu seu
apogeu durante o
ciclo da borracha,
quando imigrantes
nordestinos aumentam
sua população. Para
a época, virada do
século IXX, Belém
começava a assumir
aspecto de grande
capital, quando ruas
eram calçadas com
paralelepípedos de
granito importado de
Portugal, surgiam os
grandes edifícios
públicos, os
serviços
telegráficos através
de cabos submarinos,
a drenagem dos
alagados do Reduto,
o sistema de
iluminação a gás e o
majestoso Teatro da
Paz. O mercado
municipal,
hospitais, quartéis,
cemitérios, todos
resultaram da
pujança da economia
da borracha.
Os
fatos que circundam
a história de Belém
tornaram a área do
quadrilátero da
fundação, roteiro
obrigatório para
turistas que visitam
a capital do Pará.
Hoje denominado de
Complexo do
Ver-O-Peso, o centro
histórico leva o
nome de um dos
logradouros mais
exportados para o
trade turístico
nacional e
internacional: o
Mercado do
Ver-o-Peso, porto
principal de barcos
que chegam à Belém,
procedentes de
vários lugares. Todo
de ferro, foi
construído em
Londres e Nova York
e transportado aos
pedaços para ser
instalado no local,
na área da Cidade
Velha e diretamente
às margens da Baía
do Guajará, de onde
abastece a cidade
com produtos
alimentícios do
interior paraense,
fornecidos
pricipalmente por
via fluvial. O posto
fiscal criado em
1688 no porto do
Piri que, a partir
de então foi
popularmente
denomindo lugar de
Ver-o-Peso, deu
origem ao nome do
mercado, já que era
obrigatório ver o
peso das mercadorias
que saiam ou
chegavam à Amazônia,
arrecadando-se os
impostos
correspondentes.
Com
quase 400 anos de
história, o Forte do
Presépio, marco zero
da existência de
Belém, está com uma
cara enxuta. Hoje,
ele faz parte do
complexo turístico
Feliz Lusitânia, no
bairro da Cidade
Velha. Trata-se de
uma área que engloba
também a Catedral
Metropolitana, a
Igreja de Santo
Alexandre, o Museu
de Arte Sacra e a
Casa das Onze
Janelas. Todos esses
lugares foram
reformados e
reinaugurados em
2002. O forte, que
antes só servia para
ver a baía, hoje tem
um museu que exibe
peças encontradas em
escavações. Já a
Casa das Onze
Janelas, que desde o
século 18 abrigava
um hospital militar,
virou espaço
cultural, com
exposições
permanentes e
temporárias e um bar
que serve o melhor
chope da cidade. A
Estação das Docas,
apesar de seus
quatro anos de
existência, é o mais
importante complexo
turístico da cidade.
Quatro galpões do
porto de Belém foram
restaurados e
tiveram a estrutura
adaptada para
receber
restaurantes, lojas
de suvenires, espaço
para exposições e um
cine-teatro. Também
é na orla que fica a
mais nova atração de
Belém. O Mangal das
Garças é um pedaço
de Amazônia recriado
perto do centro. O
parque tem um
minucioso projeto
paisagístico e
muitas espécies da
fauna e flora
regionais. São 300
árvores nativas,
como mogno,
maçaranduba e
pau-d'arco, 3 mil
borboletas e quase
400 aves em
viveiros. O Theatro
da Paz passou quase
dois anos fechado e
foi reaberto em
2002. É uma visita
obrigatória. Tudo
ali remete ao luxo
do século 19: os
lustres, o
acabamento dos
parapeitos nas
frisas laterais, as
pinturas no teto e
até o pano de boca
que protege as
cortinas, uma
pintura de 1890 que
homenageia a
proclamação da
República.
Com
todas essas
renovações, contudo,
tem uma coisa em
Belém que reforma
nenhuma muda: o
calor. Seja qual for
a época do ano, os
termômetros da
cidade não saem da
média de 30 graus
durante o dia.
Belém
fica a 2159 km de
Brasília e 806 km de
São Luís e está
servida pelo
aeroporto
Internacional de
Val-de-Cans, com
capacidade para
receber 2 milhões e
800 mil passageiros
ao ano.
Por Verônica
Moschetta
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